Questão 18 do ENEM 2023 — Linguagens
**TEXTO I** **Alegria, alegria** O sol nas bancas de revista Me enche de alegria e preguiça Quem lê tanta noticia Eu vou Por entre fotos e nomes Os olhos cheios de cores O peito cheio de amores vãos Eu vou Por que não, por que não? VELOSO, C. **Alegria, alegria**. Rio de Janeiro: Polygram, 1990 (fragmento) **ТЕХТО II** **Anjos tronchos** Uns anjos tronchos do Vale do Silício Desses que vivem no escuro em plena luz Disseram vai ser virtuoso no vício Das telas dos azuis mais do que azuis Agora a minha história é um denso algoritmo Que vende venda a vendedores reais Neurônios meus ganharam novo outro ritmo E mais, e mais, e mais, e mais, e mais VELOSO, C. **Meu coco**. Rio de Janeiro: Sony, 2021 (fragmento)
Embora oriundas de momentos históricos diferentes essas letras de canção têm em comum a
- A)Referência às cores como elemento de crítica a hábitos contemporâneos.
- B)Percepção da profusão de informações gerada pela tecnologia.
- C)Contraposição entre os vícios e as virtudes da vida moderna.
- D)Busca constante pela liberdade de expressão individual.
- E)Crítica à finalidade comercial das notícias.
Gabarito oficial: alternativa B)
Os dois fragmentos, embora de épocas distintas, compartilham a percepção de uma sobrecarga de informações. O Texto I, dos anos 1960, aponta para a avalanche de notícias e imagens das bancas de revista (mídia de massa); o Texto II, de 2021, reflete sobre os algoritmos e o Vale do Silício (mídia digital). Em ambos, há um sujeito que percebe e se depara com a profusão de informações gerada pela tecnologia de comunicação de seu tempo.
Ver comentário de cada alternativa
- A) Por que está errada: O Texto I menciona "olhos cheios de cores", mas essa referência cromática funciona como descrição sensorial da experiência urbana, e não como crítica a hábitos. Já o Texto II não apresenta referências a cores como elemento de crítica. Não há, portanto, um ponto em comum entre os dois textos nesse aspecto.
- B) Por que está certa: No Texto I, o eu lírico se depara com "tanta notícia" nas bancas de revista, "fotos e nomes", representando a avalanche informativa da mídia de massa impressa (tecnologia de comunicação dos anos 1960). No Texto II, a referência ao Vale do Silício, aos algoritmos e ao ritmo acelerado dos neurônios aponta para a sobrecarga de informações da era digital. Em ambos, o elemento comum é a percepção de uma profusão de informações gerada pela tecnologia de comunicação vigente em cada momento histórico.
- C) Por que está errada: O Texto II traz a expressão "virtuoso no vício", o que poderia sugerir essa contraposição. No entanto, o Texto I não apresenta nenhum jogo entre vícios e virtudes — ele descreve uma vivência sensorial e afetiva diante da cidade e das mídias, sem opor vício a virtude. Como não há esse elemento comum em ambos os textos, a alternativa não se sustenta.
- D) Por que está errada: O Texto I contém um gesto de liberdade pessoal — "Eu vou / Por que não, por que não?" — mas isso se refere à fruição da experiência urbana, não à liberdade de expressão em sentido estrito. O Texto II, por sua vez, não aborda a busca por liberdade de expressão; trata da relação do indivíduo com algoritmos e tecnologia. Não há ponto em comum entre os dois textos nesse aspecto.
- E) Por que está errada: Embora o Texto I mencione "bancas de revista" e "notícia", o fragmento não faz uma crítica explícita à finalidade comercial das notícias; o tom é mais contemplativo e sensorial. O Texto II traz "vende venda a vendedores reais", que tem viés comercial, mas referente ao universo digital, não às notícias. Como essa crítica não aparece de forma comum em ambos os textos, a alternativa é incorreta.
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